Estamos na quinta vaga da pandemia em Portugal, e depois de auscultarmos vários serviços hospitalares nacionais, há uma tendência que fica clara. Os internados em cuidados intensivos com covid-19 partilham duas características fundamentais: ou não são vacinados ou são imunodeprimidos ou ambos.
Apesar do aumento do número de casos de covid-19, o especialista assinala que ainda não se verifica uma pressão significativa sobre os serviços de medicina intensiva: “Temos onze camas críticas dedicadas a covid-19 e a taxa de ocupação tem estado à volta dos 70%”, um número que não é preocupante visto o Hospital de São João, no Porto, ser uma unidade de referência e receber doentes de outros hospitais do país.
No que respeita a faixas etárias, em internamento há pessoas de todas as idades; quando os mais jovens chegam aos cuidados intensivos, normalmente não receberam a vacina. “A covid-19 pode ter formas graves em pessoas não idosas, conforme dissemos sempre”, reforça José Artur Paiva.
Fonte do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte confirma a tendência, acrescentando que os doentes em enfermaria e em cuidados intensivos têm “perfis diferentes” e que os casos de internamento de doentes com esquema vacinal completo são “esporádios”. Aos cuidados intensivos chegam sobretudo doentes não vacinados ou que, “pela sua condição de base”, estão mais vulneráveis ao novo coronavírus, nomeadamente transplantados ou imunodeprimidos. Em enfermaria estão internados sobretudo idosos que, infetados com covid-19, “acabam por descompensar devido a outros problemas”. Para a ala covid são também transferidos todos aqueles que, sujeitos a procedimentos de urgência ou de rotina, são testados e têm resultado positivo, ainda que fiquem internados devido a outras patologias.
No Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, o diretor da Unidade de Cuidados Intensivos revela que “desde junho, pelo menos metade dos nossos doentes covid não são vacinados“. E quando são vacinados, são pessoas com mais comorbilidades, “que não respondem à vacina de forma tão eficaz”, assinala Carlos Simões Pereira.
Esta terça-feira, dos quatro internados no Hospital Beatriz Ângelo, apenas um não tem a vacina contra a covid-19. Ainda assim, impor limites aos não vacinados seria uma medida duvidosa para Carlos Simões Pereira. “As pessoas que não se vacinam por opção são uma proporção muito pequena. Se eu acho que estão a condicionar o agravamento da situação? Penso que não”, diz o especialista. “Mesmo a imunidade vai decaindo com o tempo, parece-me mais apropriado fazer um esforço intensivo para revacinar do que fazer coerção sobre esse pequeno número de pessoas. Noutro países terá relavância, não no nosso caso”, diz o diretor da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Loures.
No Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra estão internados com covid-19 nove doentes em medicina intensiva, com uma média etária de 50 anos, sendo que 55% “não estão vacinados”, disse à CNN Portugal fonte hospitalar. Em enfermaria, contam-se 57 doentes, com uma média etária de 70 anos. “Destes, apenas cinco não estão vacinados, ou seja, 9%”.
Da informação recolhida pela CNN Portugal junto dos vários hospitais, pode concluir-se que às unidades de cuidados intensivos chegam agora, nesta quinta vaga da pandemia em solo nacional, sobretudo os não vacinados ou aqueles que sofrem de outras patologias e que têm resposta reduzida à inoculação contra a doença.
E se da parte do Governo não parece haver sinal de novos confinamentos ou medidas dirigidas a faixas específicas da população – pelo menos do que foi transmitido aos partidos que o Executivo recebeu esta terça-feira – o líder da oposição já admitiu que venham a ser implementadas em Portugal Continental medidas idênticas às que foram aplicadas na Madeira, ou seja, com uma diferenciação entre os vacinados e não vacinados contra a covid-19.
Fonte: CNN Portugal
Réplica: Portal Uatumã