Os comerciantes das proximidades da Praça do Relógio, no Centro Histórico de Manaus, reclamam que as barricadas de sacos de areia colocadas pela prefeitura de Manaus não evitam a invasão pela água. Na capital, nesta quinta-feira (20), o nível do Rio Negro atingiu 29,81 centímetros – a segunda maior da história, desde o início dos registros em 1902
Os lojistas contam que construíram a própria contenção de concreto em portas dos comércios. Eles pedem mais atenção do governo. As queixas incluem ainda a falta de pontes de madeira até a entrada dos estabelecimentos, o que impossibilita a entrada de clientes.

Cheia do Rio Negro já afeta as ruas do Centro de Manaus e prejudica comércio. — Foto: Eliana Nascimento/G1
O gerente comercial de uma rede de lojas do Centro, Hélio Alexandre, contou ao G1 que o secretário da Defesa Civil e demais órgãos competentes estivem na região para avaliar o local na quarta-feira (19).
“Estão colocando esses sacos de areia, não está resolvendo o problema, fizeram a ponte de acesso aos pedestres, mas não deram continuidade. Olha como o consumidor ele fica nessa situação, não tem acesso em loja nenhuma”, reclamou.
O gerente comentou que, por conta própria, fizeram uma barricada 60 centímetros e, depois de cinco dias, nesta quinta-feira (20), tiveram que aumentar mais o nível da altura, pois devido ao efeito da natureza, não têm certeza a que nível vai chegar a água.
Ele comentou também que as vendas caíram por várias razões, incluindo a pandemia e, atualmente, a cheia.
“A mobilidade Urbana não favorece, pois ninguém vai querer sair de um bairro em que a situação talvez não seja também muito boa, para vir para um lugar que está pior ainda, no Centro da cidade. Cerca de 50 a 60% da nossa venda caiu”, completou.
A lojista Andria Pamela comentou que todo dia está sendo um desafio para o comércio naquela região desde a subida das águas.
“Acabamos nem dormindo direito, imaginando onde a água vai chegar. Aqui mesmo na galeria que trabalho, chegamos a fazer uma barricada, mas a água continua entrando, não é com frequência, mas continua. Estou mais preocupada é com a chuva, pois a água vem com muita força”, disse.
Ela comentou também que as vendas caíram bastante. “As pessoas não chegam a vir para cá e quem vem é apenas para fazer foto”, contou.
O idoso Tarcísio Gomes, de 83 anos, trabalha há 61 anos na região da Praça do Relógio como sapateiro. Ele reclamou da forma que construíram as barricadas e lembrou que em uma cheia anterior não houve tanta preocupação.
“No corredor da calçada, poderia ter uma máquina para jogar a água para o outro lado, vedar a entrada. Falta de inteligência, jogaram os sacos de areia com água já dentro e não secaram. Eu estou trabalhando aqui dentro da água, pois eu preciso”, desabafou.
Questionada pelo G1, a prefeitura informou em nota que “o município está construindo pontes de madeira e ferro em diversos pontos do centro afetados pela cheia e também irá construir, próximo ao prédio da Alfândega, uma passarela para acesso às lojas”.
Mudanças no trânsito
O trânsito na avenida 7 de Setembro, Centro, no trecho entre as avenidas Eduardo Ribeiro e Getúlio Vargas, foi alterado a partir do meio-dia, desta quinta-feira (20). A medida é necessária por conta da subida do nível do rio Negro, que já começa a prejudicar a circulação dos veículos na área central.
Com a mudança, os veículos que trafegam pela rua Governador Vitório deverão dobrar à esquerda no cruzamento com a avenida 7 de Setembro. De lá, seguem até o cruzamento com a avenida Eduardo Ribeiro, onde serão desviados para a avenida 7 de Setembro no sentido inverso de fluxo até a avenida Getúlio Vargas.

Fonte: G1