Uma pesquisa apontou que Manaus pode sofrer terremotos no futuro devido a cidade estar em uma área onde existem falhas neotectônicas e ter atividades de exploração de gás. As circunstâncias, conforme o estudo, induzem a eventos sísmicos. O Ministério de Minas e Energia nega que o cenário cause terremotos na cidade.
A pesquisa, realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em parceria com a Universidade de Córdoba, na Argentina, e Johns Hopkins University, em Baltimore, nos Estados Unidos, foi publicada na revista Earthquake Spectra, no dia 13 deste mês. O assunto foi noticiado por O Globo.
Conforme publicação, os pesquisadores se interessaram em investigar os impactos que a exploração de gás pode trazer a regiões que não possuem registro recorrente de terremotos ou outros tipos de abalo sísmico, como Manaus. A região também foi escolhida por estar sobre uma das maiores reservas de gás do país, o que, segundo a publicação, vem gerando interesse do Governo Federal.
Um dos pesquisadores da Unicamp que fez parte do estudo, Luiz Vieira, informou ao Globo que os terremotos em Manaus aconteceriam pela penetração da água utilizada na extração no gás entre as falhas neotectônicas, causando os abalos sísmicos.
“A exploração de gás se dá pela injeção de água, em alta pressão, nas rochas onde esses gases estão depositados. Depois desse processo, a água, altamente contaminada, é colocada em poços extremamente profundos, e é daí que elas conseguem penetrar nas falhas”, explicou o pesquisador ao Globo.
Ainda conforme Vieira, esta foi a primeira vez que se conseguiu provar, pela análise de dados, a possibilidade real de existirem terremotos em áreas do Brasil, país que tem poucos eventos de atividades sísmicas. Segundo o Globo, a pesquisa também funciona como um alerta para os riscos da atividade de extração de gás.
O diretor do Ministério de Minas e Energia, Rafael Bastos, explicou à Rede Amazônica, nesta sexta-feira (21), que a técnica de exploração de gás natural informada na pesquisa não é empregada no Brasil, e nem deverá ser autorizada no Amazonas. Com isso, não há a possibilidade de gerar terremotos em Manaus.
“É preciso ressaltar que o citado artigo trata da exploração e produção de recursos não convencionais, através da técnica de fraturamento hidráulico e que não há nenhuma expectativa, nesse momento, a utilização desta técnica no estado. Então, a população pode ficar tranquila quanto a isso”, alertou Bastos.
Ainda conforme o diretor, atualmente, existem 16 blocos exploratórios de gás natural no Amazonas, que podem ser licitados a empresas interessadas em produzir gás no estado. Apesar disto, nenhum deles fica na área urbana e não causam riscos para a cidade.